
Por: Dimas Sandas
Em um movimento estratégico para reposicionar a economia da Região Norte no cenário global, o Governo Lula, em parceria com agências de fomento e lideranças locais, realizou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, o evento "Conexões Produtivas - Edição Rio Branco". O encontro, sediado no auditório do Sebrae na capital acreana, reuniu ministro, empresários, cooperativas e produtores rurais com um objetivo claro: democratizar o comércio exterior e inserir de vez a base produtiva da Amazônia no mercado internacional.
A iniciativa, estruturada por Jorge Viana, integra uma estratégia nacional de descentralização das exportações, aproximando os estados amazônicos das frentes de negócios abertas pelos maiores blocos econômicos do planeta.
O debate contou com a presença do Ministro de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto; além de representantes do Sebrae, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e líderes empresariais de toda a região.
O grande motor dessa transformação é o avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, uma negociação histórica de 26 anos que abre as portas para um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. De acordo com o ministro Márcio Elias Rosa, o tratado possui um viés altamente favorável aos produtos sustentáveis e à floresta em pé.

"Há um dispositivo no acordo que estabelece que haverá sempre preferência para produtos que tenham sustentabilidade. Toda a bioindústria, toda a indústria associada à bioeconomia, que é pujante na Amazônia Legal, terá acesso privilegiado na Comunidade Europeia", destacou o ministro.
Rosa explicou que o cronograma do acordo beneficia amplamente o bloco sul-americano: 96% de tudo o que o Mercosul exportar para a Europa terá tarifa zero imediata, enquanto o Brasil e seus vizinhos terão até 15 anos para desgravar as tarifas de produtos europeus, garantindo tempo para proteger e fortalecer a indústria nacional. Dos produtos mapeados pela ApexBrasil, 543 já contam com alíquota zero.
Durante o encontro, o público conheceu em detalhes o funcionamento do Painel, uma plataforma digital e gratuita desenvolvida pela ApexBrasil. A ferramenta simplifica dados complexos de inteligência comercial e permite identificar, de forma precisa e por unidade da Federação, quais produtos regionais possuem potencial imediato de exportação e redução tarifária.
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o Acre vive um momento de virada de chave no comércio exterior. Ele apresentou dados que comprovam a evolução do estado: em 2022, o Acre exportava menos de US$ 50 milhões; no ano passado, o estado rompeu a barreira dos US$ 100 milhões.

"No quesito exportação, o Acre tem muito potencial. Tem a Estrada do Pacífico, a saída pelo Porto de Chancay, no Peru, e agora a oportunidade do Mercosul-União Europeia. Os europeus querem cada vez mais os produtos da sociobiodiversidade e da floresta: o açaí, a castanha, as farinhas, os óleos essenciais, o café e o cacau", pontuou Müller.
Além dos produtos da floresta, a proteína animal acreana ganha força: a carne suína do estado já responde por 40% do consumo no Peru, e os frigoríficos locais projetam exportar mais de US$ 30 milhões este ano.
Anfitrião e um dos principais articuladores políticos do evento, Jorge Viana reforçou que o Acre precisa focar na agenda do crescimento econômico e da geração de emprego e renda na base produtiva.

"O Brasil é a possibilidade do mundo se alimentar com sustentabilidade e ter um parceiro comercial honesto. O Acre está indo muito bem na área do comércio exterior. O que eu estou tentando fazer com a minha experiência é trazer a Apex, a ABDI, o Ministério da Indústria e reunir os empresários para planejar o futuro a partir do presente", afirmou Viana.
Jorge Viana anunciou ainda que, para o próximo mês, estão previstas as vindas do Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do chefe da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, para debater a desburocratização das alfândegas na fronteira e impulsionar ainda mais o agronegócio e a agropecuária acreana.
Para que o pequeno produtor e as cooperativas consigam acessar esses mercados, o Governo Federal aposta em um ecossistema integrado com a ABDI e o Sebrae. Programas como o Peiex (Programa de Qualificação para Exportação), gerido pela ApexBrasil, atuam diretamente na capacitação das empresas locais.
Olavo Noleto, presidente da ABDI, explicou o papel da agência nesse processo:

"A Apex organiza a inteligência, ajuda a negociar e abre o mercado. Mas o produtor precisa se preparar para esse mercado. É aí que a ABDI e o Sebrae entram para ajudar esse produtor a se qualificar, seja na indústria ou no campo. É uma orquestração do governo do presidente Lula para levar o Brasil para o mundo."
O evento em Rio Branco consolida o compromisso de garantir que os benefícios econômicos, os investimentos e a inovação tecnológica decorrentes dos acordos internacionais não fiquem restritos aos grandes centros industriais do país, mas alcancem o coração da Amazônia Legal.
Mín. 21° Máx. 31°
