Por Cristiany Sales*
Neste Dia das Mães, convido você a um olhar que perpasse o buquê de flores e as frases prontas para alcançar a essência de quem habita sob a pele do cuidado. Ser mãe — seja pelo sangue, pelo destino ou pela escolha do coração — é um exercício de profunda doação que, muitas vezes, exige o silenciamento dos próprios desejos, transformando o cotidiano em uma entrega invisível capaz de sobrecarregar não apenas o corpo, mas também a alma. Antes de qualquer celebração, que tal oferecermos o reconhecimento de que essa figura é uma pessoa inteira, com sonhos, limites e cansaços que existem para além do papel que ela desempenha em nossas vidas?
É preciso coragem para admitir que o amor e o cuidado convivem com a exaustão física e emocional, manifestada em sinais que o romantismo das datas festivas costuma ignorar. Para muitos, este domingo traz o silêncio de uma ausência física ou a marca de uma distância imposta pela vida, mas a conexão verdadeira reside na memória e na herança emocional deixada por quem nos guiou. O desgaste de uma vida inteira de proteção não é apenas um cansaço passageiro; ele se revela em corpos que sustentaram tantos outros e que, por vezes, partiram sem que tivéssemos a oportunidade de dizer: “Eu vejo a mulher que você foi além da função que exerceu”.
A verdadeira conexão surge quando paramos para observar as “marcas da vida” e os caminhos percorridos, seja por uma mãe, uma avó, uma tia ou por quem quer que tenha assumido esse manto. Assim como em um sonho no qual sapatos novos simbolizam novos horizontes, este momento pode representar a oportunidade de honrarmos a identidade dessas mulheres, libertando-as do peso da perfeição. Para quem hoje não tem o abraço físico, a homenagem reside em reconhecer essa trajetória e compreender que o cuidado recebido foi o “sapato novo” que nos permitiu caminhar até aqui.
Que este dia seja uma oportunidade para enxergar além do papel social e abraçar a história de quem, muitas vezes em silêncio, sustentou o afeto de uma vida inteira. O peso da existência se torna mais leve quando comnpartilhamos a memória e devolvemos o protagonismo a quem sempre cuidou de todos, esteja essa pessoa presente à mesa ou guardada no coração. Que o seu presente seja um olhar atento capaz de reconhecer a força e a humanidade dessa figura, permitindo que ela seja lembrada e celebrada em sua inteireza. Um feliz dia a todas as formas de maternar, especialmente àquelas que, através das gerações e das ausências, continuam a ser o alicerce do que somos.
*Cristiany Sales é controladora interna da Agência de Negócios do Acre (Anac S.A.); MBA em Controles Internos e Auditoria; Pós-Graduada em Auditoria Empresarial; Planejamento e Gestão; Pedagogia Empresarial com Ênfase em Gestão de Pessoas; Justiça Restaurativa e Mediação de Conflitos; Graduada em Direito e Pedagogia.
The post Valorizar a história, não o papel: o verdadeiro presente que nenhuma loja vende appeared first on Noticias do Acre .